Em um post anterior, falamos dos diversos recursos disponibilizados pelo site do Smithsonian’s Cooper-Hewitt, o museu de Design de Nova York. Mas além deste material, o museu também oferece programas que buscam levar o Design para o âmbito escolar, como o “Ready, Set, Design!”, em que um representante da instituição vai a escolas interessadas e realiza uma atividade prática com os alunos.
Depois de uma breve introdução sobre o significado do termo Design, o representante do museu passa diferentes desafios às turmas - que variam do jardim de infância ao ensino médio - e propõe que construam protótipos de solução, usando apenas um número restrito de materiais.
Os desafios são sempre formulados de forma aberta. Por exemplo: em vez de pedir que os alunos projetem uma garrafa de água, eles são instigados a projetar uma forma portátil de se transportar água. Além disso, os materais são cuidadosamente escolhidos para favorecer novas construções, diferentes das que pensamos imediatamente, como conectar dois materiais com cola - de que outras formas podemos conectar materiais?
Uma parte importante desta atividade é a apresentação da solução proposta para o grupo no final da aula. Saber articular as ideias e se fazer entender por pessoas diferentes é também uma etapa fundamental do processo de Design, apesar de não ser tão mencionada.
Veja aqui um video mais descritivo sobre o “Ready, Set, Design” e aqui o PDF com as instruções.
Esta atividade é baseada no desafio Inventomania, criado por Inna Alesina e Ellen Lupton.
Design thinking for educators »
Esta é uma nova aposta da IDEO, a empresa americana de Design conhecida pelos seus projetos inovadores e pelo uso da abordagem do Design Thinking como metodologia projetual (saiba mais).
A proposta é que os métodos de Design thinking poderiam ajudar os professores a lidarem com as diferentes situações que confrontam em seu dia a dia na escola, desde a prática em sala de aula, à relação com os outros professores, passando pela organização de espaços físicos mais adequados às suas necessidades, etc. Assim, os educadores teriam ferramentas para projetar coletivamente e se veriam aptos a transformar suas próprias práticas e seus ambientes escolares.
O site mostra os estudos de caso realizados, depoimentos de professores, pesquisas contextuais e disponibiliza para download um toolkit (material explicativo) contendo o método de Design thinking adptado para que possa ser usado pelos educadores.
dica de Carol Pasquali
Neste vídeo, John Seely Brown, pesquisador, educador e co-autor do livro A New Culture of Learning, fala da experimentação e da criação como novos imperativos dos processos de ensino-aprendizagem. John entende que é fundamental brincar com o conhecimento e dividí-lo com os colegas, e esclarece como o compartilhamento dos processos, críticas e dificuldades vivido nos estúdios de Design e Arquitetura, pode ser um bom exemplo de sua proposta.
Mais sobre o autor neste site.
dica da Brenda Lucena
Desde a instauração do Currículo Nacional britânico, em 1990, que determinava um currículo central (core curriculum) padronizando as matérias que deveriam ser oferecidas obrigatoriamente por todas as escolas, o Design faz parte de disciplinas compulsórias para todas as crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos na Inglaterra e no País de Gales. Primeiramente foi englobado pela disciplina de “Tecnologia” que, em 1995, foi renomeada como “Design & Tecnologia” (Design & Technology – D&T), separando-se do conteúdo de “Tecnologia da Informação e da Comunicação” (Information and Communications Technology - ICT). No mesmo ano, a disciplina de “Artes” ganhou uma nova ementa que incluía o ensino de Design em seu escopo, e em 2000, passou a ser chamada oficialmente de Artes & Design (Arts & Design – A&D).
No entanto, as crises ecônomica e política recentes, que, entre outros eventos graves, levou à renúncia do primeiro ministro Gordon Brown, do partido trabalhista, em maio 2010, apontam para uma modificação profunda no currículo central a partir dos próximos anos. Segundo um comunicado oficial de janeiro de 2011, o novo governo pretende que todas as disciplinas, à parte de Inglês, Matemática, Ciências e Educação Física, sejam disponibilizadas de acordo com o interesse de cada escola.
O anúncio levou a Associação de Design e Tecnologia (DaTA) a iniciar uma campanha para salvar a disciplina de D&T. O vídeo acima apresenta argumentos bem diversos sobre os motivos para se manter a disciplina como parte do core curriculum britânico, cuja iniciativa pioneira, influenciou países como Austrália, Canadá, Cingapura e Hong Kong a fazerem o mesmo.
Mais detalhes no site da campanha.
Meredith Davis
Meredith Davis é uma das personalidades mais importantes no que diz respeito à integração do Design à Educação Básica norte-americana. Ela se formou e trabalhou como professora de artes visuais e, alguns anos depois, decidiu fazer uma nova graduação, desta vez em Design gráfico. Trabalhou na área, realizando projetos para grandes empresas, mas nunca se afastou de questões relacionadas à Educação, tanto Profissional quanto Básica.
Em 1997, o livro Design as a catalyst for learning, que tem Meredith como a principal autora, foi lançado como o primeiro registro abrangente das iniciativas de inclusão do Design na Educação Básica nos Estados Unidos, uma vez que, naquele país, a maioria das experiências acontece de forma individual e não são coordenadas entre si. O livro é resultado de uma pesquisa extensa, iniciada no ano de 1993, a partir da resposta de 160 questionários e de 10 estudos de caso, que representam uma variedade de metodologias e entendimentos em relação à utilização do Design nas escolas.
Atualmente, Meredith é professora e diretora da graduação do departamento de design gráfico da North Carolina State University (NCSU). Lá, como orientadora do programa de Doutorado, pertence à linha de pesquisa Design for Learning.
Alguns links sobre Meredith:
Perfil no site da AIGA (Associação Profissional de Design dos E.U.A) onde ganhou uma medalha em 2005.
Linha de pesquisa Design for Learning, da NCSU > Aqui há 3 artigos de Meredith sobre a inclusão do Design na Educação Básica pela disciplina de Artes Visuais.
Vídeo de uma palestra no Cooper-Hewitt, Museu Nacional de Design, localizado em Nova York. É longo, mas vale muito a pena.
Livro Design as a Catalyst for Learning na Amazon.
Esta matéria do NY Times mostra a Quest to Learn, uma escola americana que usa o design de video-games como ferramenta para o ensino.
A escola foi fundada em 2006 e atende a alunos do 6o. ano do ensino fundamental ao 3o. ano do ensino médio. Segundo o site, a Q2L entende o Design, a colaboração e o pensamento sistêmico como os principais letramentos (literacies) para o século 21, e que seu papel seria construir a ponte entre estas novas e as tradicionais linguagens (como o inglês e a matemática).
Para informações mais detalhadas, acesse o site da escola. Na seção curriculum é possível fazer download de diversos materiais de divulgação, de organização, uma visão geral do currículo e até os deveres de verão passados aos alunos.
dica de Guilherme Xavier
A RAFT - Resource Area for Teaching (Área de Recursos para o Ensino) é uma daquelas iniciativas onde parece que todas as peças do quebra-cabeças se encaixam naturalmente.
A ideia é simples: a organização recolhe materiais que seriam descartados por empresas locais e os revende para professores a preços muito baixos (centavos de dólar) em um grande galpão na Califórnia. A graça da história é que o lugar funciona como um centro colaborativo onde esses materiais são transformados em kits de atividades para uso em sala de aula. Lá, professores e voluntários trabalham juntos e inventam maneiras de fazer com que esses objetos se transformem em práticas relevantes e adequadas aos diversos segmentos do currículo local.
Assim, a RAFT funciona em vários níveis: 1) dá novos usos a materiais que seriam descartados; 2) fornece materiais a baixíssimo custo a professores interessados; 3) funciona como ponto de encontro para professores que querem desenvolver novas práticas em sala de aula; 4) oferece workshops e orientação para que esse professores desenvolvam suas próprias práticas; 5) disponibiliza kits já montados com instruções para uso (todos desenvolvidos por professores e voluntários da RAFT); 6) disponibiliza gratuitamente online instruções para atividades diversas com indicações de adequação para os currículos de cada série; entre outros.
Fundada em 1994, a RAFT hoje atende a 10 mil professores por ano, o que beneficia 825 mil estudantes de forma indireta. Reutilizando recursos sem nenhuma demagogia ambiental, a RAFT proporciona a mestres e alunos uma forma diferente de se relacionar com a educação.
Para mais informações, vídeos explicativos , depoimentos e recursos online, acesse o site oficial da RAFT.
Para ler uma matéria bem interessante sobre a ONG, acesse este link.
Um dos vencedores de 2011 do prêmio “Design para melhorar a vida” (Design to improve life), oferecido a cada dois anos pela INDEX, foi o projeto Design for Change, que aproxima questões do Design ao contexto da Educação Básica.
O projeto foi desenvolvido pela designer indiana Kiran Bir Sethi que, ao perceber que queria uma escola diferente para os seus filhos, decidiu fundar a sua própria instituição. A escola Riverside apresentou resultados tão positivos que ela decidiu compartilhar sua visão educacional com todo o país.
Fundou o projeto Design for change que acontece como um convite às escolas para um desafio em que os alunos devem: sentir algo que gostariam que fosse diferente em suas comunidades; imaginar uma forma de abordar essa questão; realizar o projeto imaginado; compartilhar a sua história com o resto do mundo.
No primeiro ano (2009) apenas escolas indianas foram convidadas e já no ano seguinte, grupos independentes de diversos países começaram a realizar suas próprias versões do desafio. Agora já são mais de 30 países.
O vídeo mostra Kiran contando sua história na premiação da INDEX e é interessante observar a presença de conceitos e valores do Design em todo caminho que ela percorreu, mesmo que de uma forma subjacente.
O site do projeto é o http://dfcworld.com e para quem quiser uma explicação mais rapidinha, vale a pena ver a palestra da Kiran no TED India 2009 (com opção de legendas em português!)> clique aqui
Arquikids é uma organização de Barcelona que promove a chamada arquitetura educativa para crianças e jovens de todas as idades. As atividades do grupo são baseadas em workshops com diferentes durações que podem acontecer em espaços fechados ou em rotas urbanas e safaris locais, que são tipos de excursões pela cidade e a prédios emblemáticos.
Esse vídeo se refere a um dos workshops chamado minha cidade imaginária e na página deles no Vimeo é possível encontrar mais algumas imagens de atividades que eles realizam.
O site do Arquikids tem em sua página inicial um blog muito interessante (de onde, inclusive, eu tirei o post do video as aventuras de uma caixa de papelão) e tem várias outras informações sobre a arquitetura educativa, a filosofia do projeto, as propostas de workshops, etc.
Este vídeo fala um pouco da escola de Hellerup, que fica na mesma municipalidade de Gentofte, na Dinamarca, onde está a escola Ordrup, assunto do post anterior. Assim como a escola vizinha, Hellerup utiliza uma concepção mais aberta de espaço educativo com o objetivo de proporcionar novas práticas de ensino-aprendizagem.
Pode-se observar no vídeo que as estantes de livros e os computadores não estão restritos a salas reservadas para um fim específico e, sim, incorporados ao fluxo do espaço. Além disso, destaco uma fala da professora inglesa que diz que os alunos usam o ambiente em vez de estarem confinados por ele, o que reflete em uma atitude mais confiante e auto-consciente por parte das crianças.
Clique aqui para ler mais sobre o projeto através do escritório responsável, ou clique aqui para entra no site da escola (é em dinamarquês, mas tem umas figurinhas legais! :)

